21.11.09

AS NOVAS TECNOLOGIAS NA ARTE




Considerar as artes digitais como uma forma de expressão plástica, só por si,
merece reflexão tanto mais que o computador é um instrumento de trabalho ao mesmo título que a rebarbadora o é para a escultura, a tinta em tubo pré-fabricada o é para a pintura.
O problema reside no que é possível fazer com esses instrumentos para a execução da obra de arte, e as novas capacidades que são abertas ao criador face ás novas ferramentas.
É frequente confundir-se virtuosismo tecnológico com obra de arte, sobretudo numa época em que a novidade dos instrumentos nos maravilha com os resultados obtidos.
É certo que, na área digital, há especialidades que beneficiam com esse virtuosismo, como seja a publicidade na web ou no cinema, as indústrias de divertimento como jogos e simulações virtuais, etc.
No entanto não podemos esquecer que ao mesmo título que a música e a escrita, as artes plásticas são ciências onde a tecnologia é indissociável da criatividade, e por essa mesma razão as artes digitais são uma nova ciência que se tornou indissociável das novas formas criativas.
Se no século XX a serigrafia, originária já do oriente do século XIII, foi recuperada pelos artistas como forma de expressão plástica, hoje, os meios digitais que foram criados como um instrumento de poder, são recuperados da mesma forma pelos artistas como meio de expressão criativo.
A esse título, a introdução de especialidades digitais nas escolas de arte, permite fornecer conhecimentos tecnológicos capazes de, não só fornecer uma nova linguagem aos estudantes, como adapta-la à execução das obras tradicionais.
A gravura digital é um dos exemplos, e ainda a capacidade de executar uma escultura em pedra sem ter de utilizar a rebarbadora ou o escopro, é outro.
Tudo reside nos conteúdos, que para serem considerados uma obra de arte, se é que este termo ainda tem validade face ás adulterações a que está sujeito, tem de ter um conteúdo que resista ao tempo.


Pelas razões apontadas, as escolas de arte tem um papel preponderante na formação de artistas digitais, e os conteúdos programáticos dos respectivos cursos devem permitir aos alunos, para alem da sua própria formação artística, darem a conhecer as múltiplas capacidades tecnológicas de forma a permitir a concepção plástica que lhe está adjacente.
Não se pode conceber um conteúdo sem conhecer os meios, e, actualmente, grande parte dos artistas que trabalham nesta área, ou soletram as capacidades tecnológicas da arte digital, ou se ficam pelo virtuosismo dos seus efeitos.
Por outro lado, é bem verdade que é difícil conhecer simultaneamente a capacidade de resposta dum programa específico, e conceber uma obra para esse programa.
Daí a necessidade de especialização, e consequentemente do trabalho de equipa.
Antever um resultado, mesmo que esse não seja o final, é o primeiro passo para o arranque do trabalho de concepção artística, e para antever esse resultado, nós os artistas, dominamos as ferramentas com que habitualmente trabalhamos, como seja a cor, a forma, os materiais orgânicos ou inorgânicos, porque estão adjacentes à experiência manual e à destreza que os anos vão dando.
Consequentemente espera-se poder dominar as ferramentas virtuais da mesma forma, o que normalmente não acontece pela complexidade dos sistemas operativos, dos próprios programas, e pela dificuldade de adaptação tecnológica, sobretudo nas gerações mais avançadas.
Pelas razões apontadas, preconizamos:
1 – Criação de base de dados específicos para as artes – o quê – par quê – como.
2 – áreas de formação abrangentes aos diplomados e não diplomados da carreira artística
3 – Centros de investigação e produção artística – equipamentos e técnicos disponíveis ao acompanhamento dos criadores diplomados ou não.
4 – Disponibilização on-line dos trabalhos realizados para estabelecer parcerias com outros centros

O grande problema na optimização deste processo reside na dificuldade dos meios académicos se abrirem aos meios produtivos não académicos, estabelecendo uma dicotomia entre a dialéctica e a acção.
Como ultrapassar essa dificuldade, que estou certo ninguém quer ?
O acordo de Bolonha prevê a concessão de equivalências académicas ao saber adquirido ao longo da vida, em todas as áreas.
Mas não diz como se vai classificar um marceneiro, um trolha ou um electricista com anos de carreira, face ao percurso universitário.
E quem está preparado para atribuir essas equivalências?
Em que especialidade académica serão esses saberes homologados ?
Quem está disponível para estudar este assunto ?
Se a própria equivalência entre cursos Universitários é já um problema maior pela diversidade de opções entre os vários países aderentes a esse acordo, e a dificuldade de estabelecer as concessões necessárias a tal processo.
Esta linha de acesso entre as várias Universidades poderá ser um ponto de partida para um maior entendimento e o início de uma formação e-learning multifacetada.

Henrique Silva

1 comentário:

juliana disse...

oi henrique...
sou estudante de arte, resido no rio de janeiro e estou fazendo um tcc sobre novas tecnologias.
gostaria de trocar informações contigo, se possivel!
se puder entrar em contato comigo, eu agradeço.

abraços
juliana nicolini